Por JBM | Sábado, 26 Fevereiro , 2005, 01:07


2004
COM: Javier Bardem, Belén Rueda, Lola Dueñas
REALIZADO POR: Alejandro Amenábar



Quando se juntam dois dos maiores génios do cinema europeu (Bardem e Amenábar), o resultado só pode ser magnífico...

"Mar Adentro" é um drama dos antigos, mas é sobretudo um filme sobre a vida, e o prazer de viver. Não se trata aqui de incitar ninguém ao suicídio, mas sim de tentar transmitir ao espectadores, o verdadeiro significado da vida.

Este é daqueles filmes que tanto nos pode fazer sorrir (e tem uma mão cheia de bons momentos de humor), como nos pode fazer chorar como se não houvesse amanhã, mostrando-nos mais uma vez, que Amenábar é um mestre a construir diálogos e a transmitir sensações (para os que ainda não viram, recomendo que vejam já o "Abre los Ojos", e não se fiquem pela versão americana, que mesmo sendo acima da média, não consegue igualar o original).

Bardem está absolutamente fantástico... Ele é Ramón Sampedro, e ponto final. Não há palavras para o descrever como actor... se houvesse justiça em Hollywood, o Óscar ia para ele... (nem sequer foi nomeado, vejam lá...). Ele consegue criar uma empatia imediata entre o seu personagem e o público, fazendo-nos ficar tristes quando Ramón está triste, e contentes quando Ramón está contente... Mesmo que esse contentamento seja apenas aparente.

Todo o filme é uma lição de humanismo do princípio (do curioso principio) ao fim (ao triste fim...), e se há uma cena que tenho que destacar, é a do diálogo entre o padre tetraplégico e Ramón ... Absolutamente genial.

Com este filme, Amenábar só vem confirmar o que todos sabemos. Que é um dos maiores realizadores da sua geração, e que tem um fascínio pela morte em todos os seus domínios ("Tesis", "Abre los Ojos" e "Los Otros", todos eles eram sobre a morte...)

(estão a ver portugueses? Isto é storytelling... nao é americano, nao é pretensioso, pode ser comercial e mais importante que tudo... é cinema, coisa que cá não se faz.)

(10/10)

NO OUVIDO:

Ramón: ¿Me das una calada?
Julia: ¿Tu fumas?
Ramón: De vez en cuando, por si me mata, pero nada.

Marc: señorías, en un Estado que se declara laico, que reconoce el derecho a la propiedad privada, y cuya constitución recoge también el derecho a no sufrir torturas ni tratos degradantes, cabe deducir que quien considere su condición degradante, como Ramón Sanpedro, pueda disponer de su propia vida. De hecho, nadie que intente suicidarse y sobreviva es procesado después...

Ramón: ¡ No deja de sorprenderme que muestre usted tanta sensibilidad ante mi vida... teniendo en cuenta que la institución que usted representa acepta al dia de hoy nada menos que la pena de muerte y la guerra, y durante siglos condenó a la hoguera a los que no pensaban correctamente!
Padre Francisco: ¡Ahora el que esta haciendo demagogia es usted!
Ramón: ¡Si, claro! ¡Pero, dejándonos de eufemismos, como usted dice, eso es lo que habrían hecho conmigo, ¿no?! ¡Quemarme vivo! ¿Quemarme por defender mi libertad!
Padre Francisco: ¡ Amigo Ramón, amigo Ramón! ¡Una libertad que elimina la vida no es libertad!
Ramón: ¡ Y una vida que elimina la libertad tampoco es vida! ¡Y no me llame amigo!

Julia: ¿Quién es Ramón?

Ramón: Mar adentro, mar adentro, y en la ingravidez del fondo, donde se cumplen los sueños, se juntan dos voluntades para cumplir un deseo.
Tu mirada y mi mirada como un eco repitiendo sin palabras: más adentro, más adentro, hasta el más allá del todo por la sangre y por los huesos.
Pero me despierto siempre y siempre quiero estar muerto para seguir con mi boca enredada en tus cabellos.

Anónimo a 8 de Novembro de 2005 às 00:06
Um filme marcante...sou nortenha e sensibilizou-me (para além do mais)a semelhanca(s) cultural com a Galiza...tão forte que por vezes a língua e a identidade(s) se confundem...
E a vida (a morte)?Alexandra Magalhães
</a>
(mailto:alexmag@sapo.pt)

Anónimo a 6 de Março de 2005 às 18:17
Falar da morte... para dar sentido à vida!
O filme de Amenábar (ou melhor, o filme de Bardem) demonstra bem o paradoxo de Sampedro: ao fazer tanto para morrer, por a sua vida não ser digna nem ter sentido, acabou por dar sentido á sua própria vida e deixarnos um forte legado: a sua história, o seu cativeiro, e este filme.
Se Ramon tivesse a eutanásia á sua mercê, nada disto seria possível, o que no mínimo nos leva a pensar: Será que mesmo da situação mais desesperada não se retira nada de positivo, de digno e vital?Ivo Ramos
(http://falar da morte...)
(mailto:ivoramos@sapo.pt)

Anónimo a 2 de Março de 2005 às 10:42
Só digo isto -> http://www.c7nema.net/site/html/modules.php?name=News&file=article&sid=2884

Abraços cinéfilos ;)S0LO
(http://lordofthemovies.blog-city.com/)
(mailto:S0LO@sapo.pt)

Anónimo a 1 de Março de 2005 às 21:52
filme com um tema muito profundo, dá mesmo que pensar...talvez o Oscar que mais gostei deste ano, (apesar de gostar de lá ver nomeado ao menos o diario de motocicleta).
Quanto ao sideways...olha eu conheço os actores e não achei nada especial, os papeis do Paul Giammati já parecem tão cliché.. aquele falhado a quem tudo corre mal ... que já perdeu muita da sua piada.jota
</a>
(mailto:keyzer@sapo.pt)

Anónimo a 1 de Março de 2005 às 21:38
lolllol epá o cinema é muito subjectivo! o que para uns é bom, para outros nem por isso. :)d00kie
(http://www.photoblog.be/d00kie)
(mailto:lagarto_mau@hotmail.com)

Anónimo a 1 de Março de 2005 às 15:08
Não percebi isso de não favorecer o meu blog mas também não quero falar mais nisso.
Quanto á questão do "Sideways"..era aí mesmo que eu queria chegar: é um filme melhor do que "O Aviador" mas claro que não ultrapassa a perfeição do "Million Dollar Baby". De qualquer maneira, saí da sala muito satisfeito, tal como tinha acontecido com o "About Schmidt". Só que este foi ainda melhor :)!

Cumprimentos cinéfilos ;)S0LO
(http://lordofthemovies.blog-city.com/)
(mailto:SOLO@sapo.pt)

Anónimo a 1 de Março de 2005 às 12:32
Eu vi o filme... :P É engraçado. Melhor que o Aviator... Mas tb nao é revolucionário, e está longe do Million Dollar Baby! (na minha opiniao, claro!) :) (e em relaçao à publicidade, claro k podes fazê-lo... Nao me importo. Só que acho que esse género de publicidade nao favorece em nada o blog publicitado!)JBM
</a>
(mailto:jbmartins2003@sapo.pt)

Anónimo a 28 de Fevereiro de 2005 às 20:55
E já agora, apoio a tua iniciativa de fazer algo diferente. Os meus parabéns.S0LO
(http://lordofthemovies.blog-city.com/)
(mailto:S0LO@sapo.pt)

Anónimo a 28 de Fevereiro de 2005 às 20:53
Overrated? Tu lá sabes...vê-se logo que não viste o filme mas pronto...O argumento é de génio e mereceu claramente o Óscar. Lá por não ter actores conhecidos não é caso para o desprezar. Fui vê-lo hoje e há muito tempo que não me divertia tanto num cinema...adoro o humor negro do Alexander Payne. Para mim ainda merecia mais Óscares.
Adiante, acho que tenho o direito a fazer publicidade como qualquer pessoa que vem aqui comentar. Continua o bom trabalho.

Fica ;)S0LO
(http://lordofthemovies.blog-city.com/)
(mailto:S0LO@sapo.pt)

Anónimo a 27 de Fevereiro de 2005 às 12:42
--> SOLO: Hmm... Sideways = "Overrated"! E de qualquer dos modos, todos falam dos mesmos filmes. Eu quis fazer algo diferente. (e já agora... Precisas mesmo de fazer essa publicidade? Nao achas um pouco... foleiro?) :)JBM
</a>
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