"I don't know who you are, but you did something to me... to my thoughts" Poucos minutos depois de o filme começar, o espectador depara-se com um dilema: que caminho escolher? É óbvio que assistir a este filme não vai ser uma tarefa fácil. Ele está a pedir-nos algo que nem todos estamos dispostos a dar: que sejamos totalmente crédulos. As situações bizarras sucedem-se, as perguntas mais racionais também, e no entanto ninguém no ecrã parece disposto a responder.
Porque é que todos acreditam sem nunca duvidar que a Story é uma criatura mística? Porque é que as chinesas não questionam os motivos das súbitas dúvidas de Heep sobre aquela lenda? Como é que o Heep consegue aguentar a respiração debaixo de água durante tanto tempo? (também podemos perguntar : "Aquilo ali pendurado é um microfone? - Mas isso é outra estória). Ou seja, no fundo
Shyamalan pretende que aceitemos tudo sem nos questionarmos sobre a sua lógica, numa dinâmica criança/conto de embalar.
E se alguns estão dispostos a fazê-lo, outros não, o que não deve ser censurado, principalmente tendo em conta que o ritmo monótono com que se sucedem os acontecimentos (isto sim, filmados com uma beleza e competência únicas, pautados pela fantástica partitura - mais uma - de
James Newton Howard) não ajuda nada na identificação dos espectadores com o que está a ser narrado.
Quem decide continuar e aceitar o que lhe pedem, tem perante si uma ode ao
storytelling. Uma homenagem única à fantasia e ao mundo das ideias que
Shyamalan tanto preza. Um filme arriscado que sobrepõe a mensagem à sua própria construção, num mundo de personagens unidimensionais (e como tal, actuam basicamente como meros símbolos) que coexistem algures entre a realidade e a fantasia, sem nunca pertencer a nenhum dos lados, e que têm como única função fazer passar para o público a mensagem que foi codificada simultâneamente na mente e no coração do seu autor.
Eu próprio confesso estar indeciso sobre o meu veredito. Se por um lado gostei do conceito e de toda a mitologia deste conto (assim como das representações acima da média por parte do elenco - destacar um dos membros seria injusto), por outro admito que a forma como estas foram postas em prática não me agradou na sua totalidade.
De uma coisa podemos estar certos: é algo único e diferente... e isso, nos tempos que correm, é de bradar aos céus.
(
6/10)