Por JBM | Domingo, 28 Maio , 2006, 17:33


"Why is it divine or human? Can't human be divine?"

Este é um daqueles casos em que me deixei claramente influenciar pela opinião generalizada do público e da crítica (é o que acontece quando tentamos saber demasiado de um filme antes de ser-mos nós próprios a vê-lo). Mas ao contrário do que se possa pensar, essa influência acabou por resultar benéfica para o filme, porque, sejamos sinceros, estava à espera de muito pior.

Estava à espera de uma realização medíocre, e resulta que afinal a realização é bastante competente, estava à espera de um Tom Hanks amorfo com rasgos de Steven Seagal, e afinal o seu Langdon até vai de encontro com o "meu" Langdon, estava à espera de um filme demasiado grande e previsível e tive... ok, um filme demasiado comprido e previsível... mas com o buzz que se gerou em torno do livro através dos contra-livros, documentários, e polémicas em geral, era difícil conseguir surpreender alguém com este material (a menos, claro que esse alguém tivesse vivido os últimos três anos debaixo de uma pedra).. em suma, estava à espera de um objecto execrável "a la Uwe Boll" e obtive um filme competente. Nada mais, mas principalmente nada menos do que isso.

Agora tentando abstrair-me de todas as expectativas, opiniões e polémicas, posso dizer que "The Da Vinci Code" como produto meramente cinematográfico peca essencialmente por dois factores: O seu tamanho exageradamente longo e o argumento deficiente que não consegue criar os devidos laços de proximidade entre os protagonistas e o público (o que num filme destes é um grande problema). Se eu não conhecesse já o Langdon de outras plataformas necessariamente mais descritivas, estar-me-ia nas tintas para o personagem que me foi apresentado, o mesmo se passando com a Sophie cuja backstory foi visivelmente inserida à pressão apenas para se seguir à risca a narrativa do livro, esquecendo-se que o que melhor resulta por escrito nem sempre é o que melhor resulta encenado. Akiva Goldsman poderia ter começado o filme de uma outra maneira, inserindo o passado de Sophie de um modo mais natural, e misturando alguns elementos de "Angels and Demons", para se tentar criar maior próximidade entre o público e Robert Langdon. A sua tentativa de conquistar os fãs do livro, seguindo a mesma linha narrativa, acabou por afastar quer esses mesmos fãs, quer os fãs do cinema em geral.

De resto, o filme visualmente está bastante acima da média, as representações estão q.b. (tirando Ian McKellen que está bem lá o no alto, como sempre aliás), a banda sonora cumpre a sua função, e teria sido um excelente thriller se não fosse pelo seu excessivo tamanho e pelo ritmo demasiado literário (e consequentemente demasiado lento), fruto da falta de liberdade criativa do argumentista que não soube aproveitar os muitos diamantes cinematográficos presentes no livro (o que nunca pensei ser um problema para ele, já que em "Batman & Robin" tomou demasiadas liberdades...).

Como está é apenas... funcional...

(6/10)

Edward Brock a 28 de Maio de 2006 às 20:26
Depois do B&R nunca consegui respeitar o Akiva Goldsman, o protótipo do argumentista por encomenda. O homem não tem uma ponta de imaginação.

WebS a 28 de Maio de 2006 às 20:54
Não mencionas uma única vez o Silas, ou a prestação de Paul Bettany. Tendo em conta todas as críticas que tenho lido, considero este facto no mínimo... estranho?

Ricardo Fernandes a 28 de Maio de 2006 às 23:04
Acho que foste muito duro na crítica. O filme não só cumpre, como chega a ser fascinante em certos detalhes. O facto é que ainda hoje, após 1 semana e meia continua a encher salas, por exemplo as 2 do Beloura ... Enfim!

Phil a 29 de Maio de 2006 às 10:56
Duro??? Até acho que foi uma opinião bem simpática e que subscrevo.

Quanto aos restantes actores, o JBM, apenas destacou um dos actores, ficando-se pela frase "as representações estão q.b."...acho que isso chega...Efectivamente, parece-me que o realizador é o principal responsável pela incapacidade do filme chegar a um outro nível, porque tinha história, que lhe permitia ter um bom argumento, tinha actores, tinha condições para fazer muito melhor...entre arriscar e cumprir, acho que a Sony, preferiu cumprir e ganhar mais uns milhões.

BLaDeR a 29 de Maio de 2006 às 13:05
concordo com a tua opinião JBM. mas axei a prestaçao da dupla Audrey Tautou/Tom Hanks bastante fraca... sinceramente podiam ter escolhido melhor os actor.... pnxo k o tom hanks nao cnseguiu captar bem o nivel emocional da prsonagem... axei-o sempre um pouco abstracto da acçao assim como a miss Amelie Poulan, k desempenhou o seu papel d, dxclpem a expressao, "francezinha tipica".

agora kero e ver a critica ao X3...

TheStar a 31 de Maio de 2006 às 09:18
Tem piada que eu também classifiquei o filme com 6 estrelas em 10.
Concordo com quase tudo o que foi dito, mas faltou, mesmo mencionares a excelente interpretação de Paul Bettany. Não só teve um grande desempenho, como superou todas as minhas expectativas. O "meu" Silas imaginado, era o Paul Bettany, ele passou para a acção tudo aquilo que eu tinha imaginado ele ser. Achei incrível.
Quanto à minha apreciação geral, sendo só uma opinião pessoal, soube-me a pouco. O livro deu-me tanto, que o filme não conseguiu atingir o esperado. Mas no geral é um bom filme.
Acho que se não tivesse lido o livro, teria gostado imenso do filme. Confesso que fiquei com vontade de o reler.

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