"Sometimes, I wonder: will God ever forgive us for what we've done to each other"
A primeira ideia com que fiquei quando os créditos começaram a rolar foi a de que, apesar de não haver dúvidas que é um bom pedaço de matéria cinematográfica (pelo menos o potencial está lá), há algo que falta, e nem sempre é fácil explicar o que é...
Vamos lá ver... isto não é bem um filme de aventura/acção, mas a verdade é que a mensagem que ele contém é demasiado vaga para ser realmente outra coisa. Dispara para todos os lados sem nunca encontrar com o alvo.
Temos um (anti) herói que nunca se chega a definir totalmente (embora seja o suficientemente imprevisível para se tornar interessante), temos uma jornalista intrépida que nunca consegue ultrapassar o estatuto de cliché, temos a criança a quem lhe foi feita uma lavagem ao cérebro, temos o pai que procura a sua família (provavelmente o personagem mais bem definido da película), já para não falar das peculiares mensagens de alerta para os compradores de diamantes (como se qualquer um pudesse escolher não comprar diamantes de milhares de euros) e das reflexões sobre o sentido da existência que surgem do nada, através de diálogos que por vezes deixam um pouco a desejar.
Mas pronto, se nos esquecermos um pouco dessa "esquizofrenia" argumental, acho que podemos dizer que é na relação entre os personagens de DiCaprio e Djimon Hounsou que reside o principal motivo de interesse do filme. A instável e conflituosa personalidade de um, contrasta na perfeição com a inocência e determinação do outro, ao ponto de nunca se saber realmente em que estado se encontra a relação dos dois. Da amizade de uma cena, ao ódio da cena seguinte, vai um pequeno passo. São duas das melhores representações do último ano cinematográfico que merecem por completo as nomeações (afinal de contas, é preciso ser de facto um actor de topo, para conseguir com que frases como: "In America, it's bling bling. But out here it's bling bang" soem o mínimo disparatado possível).
Tecnicamente não há nada a apontar. As paisagens de África continuam tão belas e épicas como nas décadas de 30/40, altura em que foram definitivamente descobertas por Hollywood, e algumas das cenas de acção, conseguem ser tão cruéis como electrizantes.
... se se tivesse encontrado a tempo poderia ser mais do que um diamante em bruto. Como está, vale pelas boas intenções.
(7/10) * * *












