Por JBM | Sexta-feira, 26 Janeiro , 2007, 20:52


"Sometimes, I wonder: will God ever forgive us for what we've done to each other"


A primeira ideia com que fiquei quando os créditos começaram a rolar foi a de que, apesar de não haver dúvidas que é um bom pedaço de matéria cinematográfica (pelo menos o potencial está lá), há algo que falta, e nem sempre é fácil explicar o que é...

Vamos lá ver... isto não é bem um filme de aventura/acção, mas a verdade é que a mensagem que ele contém é demasiado vaga para ser realmente outra coisa. Dispara para todos os lados sem nunca encontrar com o alvo.

Temos um (anti) herói que nunca se chega a definir totalmente (embora seja o suficientemente imprevisível para se tornar interessante), temos uma jornalista intrépida  que nunca consegue ultrapassar o estatuto de cliché, temos a criança a quem lhe foi feita uma lavagem ao cérebro, temos o pai que procura a sua família (provavelmente o personagem mais bem definido da película), já para não falar das peculiares mensagens de alerta para os compradores de diamantes (como se qualquer um pudesse escolher não comprar diamantes de milhares de euros) e das reflexões sobre o sentido da existência que surgem do nada, através de diálogos que por vezes deixam um pouco a desejar.

Mas pronto, se nos esquecermos um pouco dessa "esquizofrenia" argumental, acho que podemos dizer que é na relação entre os personagens de DiCaprio e Djimon Hounsou que reside o principal motivo de interesse do filme. A instável e conflituosa personalidade de um, contrasta na perfeição com a inocência e determinação do outro, ao ponto de nunca se saber realmente em que estado se encontra a relação dos dois. Da amizade de uma cena, ao ódio da cena seguinte, vai um pequeno passo. São duas das melhores representações do último ano cinematográfico que merecem por completo as nomeações (afinal de contas, é preciso ser de facto um actor de topo, para conseguir com que frases como: "In America, it's bling bling. But out here it's bling bang" soem o mínimo disparatado possível).

Tecnicamente não há nada a apontar. As paisagens de África continuam tão belas e épicas como nas décadas de 30/40, altura em que foram definitivamente descobertas por Hollywood, e algumas das cenas de acção, conseguem ser tão cruéis como electrizantes.

... se se tivesse encontrado a tempo poderia ser mais do que um diamante em bruto. Como está, vale pelas boas intenções.

(7/10) * * *

MRG a 26 de Janeiro de 2007 às 22:57
7 em 10?! Acabaste de destruir o meu desejo de ir ao cinema ver o filme...eu que gostei tanto do trailler e ainda mais da música

Mas vou ver e depois digo o que achei...

Fábio Jesus a 27 de Janeiro de 2007 às 00:34
Concordo. Zwick continua a revelar que é um excelente director de actores (relembrem-se Denzel Washington e Ken Watanabe) e que se sente bem a realizar épicos de longa duração que pecam exactamente por isso: minutos desnecessários equivalem a cenas desnecessárias, que não só afectam o ritmo do filme como também trazem consigo clichés e estereótipos desnecessários e evitáveis - Jennifer Connelly é criminosamente subaproveitada - que lhes minam o potencial. Falta contenção ao realizador, que se parece ter acomodado a um género e a um estilo que lhe são por demais familiares (Glory, embora não isento de falhas, continua a ser o seu melhor filme, e foi criado no início da sua carreira cinematográfica, já lá vão quase dezoito anos), e não ousa caminhar na direcção de algo mais ousado. Até isso acontecer, vai continuar a transformar grandes ideias em filmes meramente decentes, que acabam por triunfar muito mais como entretenimento puro e duro do que como os filmes-mensagem que tentam ser.

André a 27 de Janeiro de 2007 às 14:15
Concordo em absoluto. Saí do cinema com a sensação de ter visto um excelente filme, mas que faltava algo que não sabia bem o que era. Aconselhava à mesma o MGR a ir ver porque não deixa de ser uma boa película e podes ter uma opinião diferente do JBM. Acima de tudo a confirmação da maturação do Di Caprio de filme para filme e o extraordinário actor que é Djimon Hounson. Todos os filmes em que ele tem um papel secundário ganham consistência com a sua presença. Não vi os outros nomeados para o Oscar, mas este é o meu escolhido (façam lá uma injustiça só para me satisfazer).

A. R. Bento a 27 de Janeiro de 2007 às 14:53
É a melhor história de amor desde "Brokeback Mountain" com o adicional das cenas interraciais explícitas. Os diamantes são os melhores amigos das mulheres e para aqueles que julgam que não há mulheres no filme preparem-se para um final surpreeendente. As cenas de porrada podiam ser melhores com enforcamentos, empalamentos, decapitações e amasso de cadáveres à paulada.

Em geral um 8.3 em 10. Espero que a sequela traga algo mais à história.

membio a 27 de Janeiro de 2007 às 15:40
é um excelente filme de entertenimento com uma mensagem que podia ser mais aprofundada é certo, mas assim agrada a um público mais vasto, o que podia ter sido uma pressão do estúdio...

Marina a 31 de Janeiro de 2007 às 18:05
I completely agree that this is a competent film about a tough subject but it's not as good as it could possibly be. My main complaint is with the drawn out ending. I could have done without it.

Rosa a 4 de Fevereiro de 2007 às 23:21
Um grande filme, sem dúvida.

zocca 500 a 5 de Fevereiro de 2007 às 12:23
Acho que todos voces exageram nos comentarios que fazem acerca do filme...
Blood Diamond é uma película com uma profunda mensagem um argumento e interpretação exelentes...
Não sou tão "exigente" assim para começar a por defeitos ao filme..
Façam lá voces melhor...Um diamante de sangue portugues.Conseguem??
Para mim 5estrelas.

Tika a 21 de Fevereiro de 2007 às 17:40
Depois de ler os posts anteriores há algumas coisas que não concordo e deixo aqui a minha perspectiva.

Considerei o filme muito bom. Alerta na devida medida para uma situação em concreto mas, no final, é a Maldade, a Ganância, a Violência, o Animalesco, o Grotesco do SER HUMANO que ressalta. Se todos esses detalhes que mencionam estivessem especificados, o âmbito da mensagem estaria incrivelmente circusncrito. Como espectadora, ao abandonar a sala de cinema, pensava na universalidade das condutas humanas, bem como na sua intemporalidade.

Daí que, para mim, esta mensagem seja incrivelmente mais abrangente do que aquela que à primeira vista se afigura.

Temos de olhar para o filme na sua vertente explicita ( o negócio de diamantes), mas depois temos de ir além disso e aprofundar o móbil secular que está por detrás desta e de outras situações... A AMBIÇÃO DESMESURADA que torna toda a Humanidade tão feia...

8.5/10

Anónimo a 22 de Fevereiro de 2007 às 16:55
eu adorei sem duvida o filme também concordo que fazem comentarios um pouco exisgentes!!
eu gostei bastante do filme, é um dos melhores filmes que ja vi mas pronto cada um tem a sua opiniao
xau

Segue-nos
Procurar
Pesquisa personalizada


Rubricas






Sobre o autor
  • Facebook
    Encontra-me por aqui.
  • Twitter
    Segue-me aqui.
  • Google +
    Também ando por aqui.
  • Contacto
    jbmartinz[at]gmail.com

comentários recentes
Ás vezes fico parva com certas coisas que vejo esc...
Exatamente o que penso do filme. Não fosse a quími...
Sinceramente, como fã dos livros que sou posso diz...
Incrível.. nos vampiros ainda é tolerável que se a...
Pessoalmente, acho que este ano eles foram excelen...
Posts mais comentados
arquivos
2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


2004:

 J F M A M J J A S O N D


2003:

 J F M A M J J A S O N D


Meta
 
 
 
 
 
 
web tracker