Por JBM | Sábado, 02 Janeiro , 2010, 12:25
 
Paranormal Activity de Oran Peli | 2007



Há um plano bom em Paranormal Activity e Oran Peli sabe disso. Quando o realizador instala a câmara no quarto sabe que nos está a aprisionar. Não há movimento, não podemos fugir. Sabemos que alguma coisa vai acontecer e quer queiramos quer não vamos ser testemunhas de algo arrepiante. No entanto os conhecimentos que o realizador tem do género de terror ficam-se por esse plano e pelo conceito geral usado desde os primórdios da internet para pregar partidas: se mantiveres uma pessoa concentrada num ponto durante muito tempo e soltares o que quer que seja repentinamente ela vai apanhar o susto da sua vida.

 

O resto do filme é uma sucessão de clichés pré-históricos, diálogos sofríveis e situações pouco credíveis e completamente dispensáveis. Uma curta de cinco minutos com aquele plano fixo teria sido interessante. Como está, até os modestos 15 mil dólares de orçamento parecem demasiado.


Tomate Suicida a 2 de Janeiro de 2010 às 13:57
ei, finalmente alguém que diz umas verdades.

Eu quando vi o trailer fiquei todo entusiasmado, não fosse o genero terror o meu preferido.

Vi o filme e fiquei tão decepcionado, achei horrivel.

Nem sabia que tinham sido gastos 15k$, pensava que era amador e que tinham gasto uns 100$.

JBM a 2 de Janeiro de 2010 às 21:06
E eu bolas... fiquei tão desiludido. Como é possível comparar isto a Blair Witch? O realizador do Blair Witch joga noutro campeonato no que diz respeito ao domínio do género.

Nekas a 2 de Janeiro de 2010 às 14:11
Não partilho da mesma opinião!
Paranormal Activity surpreendeu-me mesmo muito e como tal, de acordo com a versão que vi, apelido-a de umas das surpresas do ano e das mais assustadoras principalmente as cenas em suspenso e o final gore...

Abraço
http://nekascw.blogspot.com/

JBM a 2 de Janeiro de 2010 às 21:07
Fico feliz por ti. Gostaria de poder dizer o mesmo. :)

Sam a 2 de Janeiro de 2010 às 15:35
Caro Cineblog,

Os Óscares de Marketing Cinematográfico, iniciativa que pretende nomear o melhor que se fez em publicidade de Cinema no ano de 2009, estão de regresso ao Keyzer Soze’s Place.

Assim, convido o autor deste blog a expressar a sua opinião em http://sozekeyser.blogspot.com/2010/01/oscares-de-marketing-cinematografico-2.html.

Desde já, apresento o meu profundo agradecimento na sua disponibilidade para participar nesta iniciativa.

Cumprimentos cinéfilos!

Nuno Cargaleiro a 2 de Janeiro de 2010 às 22:16
Respectivamente à comparação que um dos comentários apresenta sobre o Blair Witch Project, sim, é verdade, o realizador do BWP joga numa esfera chamada Holocausto Canibal, já que a estrutura é muito semelhante. E isto de alguem que gostou do BWP.
Agora sobre o Paranormal Activity, achei que é mais "credivel" e mais parecido às historias de terror que mais me aterrorizam: os documentários do "Histórias do Além".
É mais simples, e por isso mais facilmente identificável com o espectador! 2 pessoas, uma casa, e acontecimentos estranhos. E só é conseguindo "perdendo tempo" com pormenores que dão mais vida e realismo (como a cena onde a protagonista se chateia com o namorado pq quer estudar enquanto ele não para de falar do que acontece) às personagens. Todo o filme é um crescendo onde se antecipa algo trágico(faz-me lembrar o Coisa Ruim, com as devidas diferenças) e por isso mesmo é que n seria o mesmo se fosse uma curta! Para sentir o peso, tem que se ter paciencia e apreciar a viagem! Mas tb admito, este não é um filme para fãs de gore, é mais uma experiência onde o espectador deve ter a capacidade de se entregar do que duvidar! E quando é altura de entregar a apoteose, eu achei que este filme consegue estar mais à altura do que muitos filmes de grande produção! Sinceramente, eu gostava de ter feito um filme assim! Tão ao alcance de todos, mas muitas vezes demasiado "simples" para ser ambicionado.

Pedro Maques a 2 de Janeiro de 2010 às 22:23
Esta "crítica" ao Paranormal Activity é sintomático da visão americanizada (ou, se preferirem, gore/slasher/sanguinária) que temos do cinema - neste caso, do de terror. Os verdadeiros apreciadores do género sabem que suspense se faz criando atmosfera. Um caso exemplar é o de "O Exorcista" (um filme americano que é uma excepção): não é o pescoço equilibrista de Linda Blair que assusta. É o ambiente que foi criado antes desse momento - e que é impossível resumir em cinco minutos, como sugere o autor desta crítica. É precisamente aqui que brilha "Paranormal Activity", sendo por isso um digno sucessor da obra maestra de Friedkin. A atmosfera começa no primeiro frame: o recém casal feliz, aos poucos atormentado por sinistros sons. Ao contrário de Blairwitch Project, que só vive da sugestão (e onde se grita pela simples visão de uma simplória cruz feita de pauzinhos), em Paranormal Activity o crescendo de tensão vai mostrando o poderio da entidade que habita a casa. E se, no início, parece que a história não vai passar de uns quantos baques secos nas paredes e umas portas a fechar, o realizador sabe como enganar o espectador e surpreendê-lo. Melhor: mostra quando poderia apenas sugerir. O resultado é uma experiência única. Pode-se não gritar, nem suster a respiração, mas quase provoca dores físicas. O valor deste filme para o que se faz actualmente no campo do cinema de terror é incalculável: renegra o CGI, mantém-se fiel ao estilo documentário, é servido por actores sem experiência que conseguem povidenciar uma experiência real e jamais foge da sua essência.

JBM a 2 de Janeiro de 2010 às 22:33
Viva meu caro. Sinceramente comparar este filme ao Exorcista é uma heresia de todo o tamanho. Ao contrário daquilo que tu concluiste eu não sou fã da visão "americana" (slasher,gore, etc) do género. Longe disso. Mas muito longe. O Exorcista, o Shinning ou o Rosemary's Baby são clássicos que jogam como ninguém com a atmosfera. Este Paranormal Activity é apenas um plano decente e uma ideia falhada. ;) (na minha opinião, claro)

Pedro Marques a 3 de Janeiro de 2010 às 15:23
Todos os exemplos que me deste são de narrativas elaboradas, contadas com dinheiro, com actores profissionais, são exemplos de filmmaking. Mas repara: quanto daquilo que verdadeiramente nos assusta não é um conto de Stephen King, mas aquele som estranho do ranger da madeira, aquela campainha que toca em casa quando estamos absolutamente distraídos, aquela sombra estranha à noite, nas nossas próprias casas? É com esses medos que "brinca" o Paranormal Activity, não é com monstros, serial-killers, bipolares. Vai à raiz do medo, dos pequenos instantes do quotidiano que nos provocam aquele arrepio. A comparação com "Exorcista" fica-se pela criação de uma atmosfera onde sabemos que é inevitável que algo vai acontecer - não há um prólogo tipo "Gritos", ninguém é morto numa sequência inicial. Assim como no "Exorcista", vemos antes o quotidiano banal de uma família, dão-nos tempo para sentir o seu medo, as suas aspirações, a sua felicidade de recém-casados, para depois sentirmos duplamente a queda, a tragédia, o drama que se abate sobre eles. Se fosse uma curta, como sugeres, perdia-se metade desse entranhamento, desse apego às personagens e não passaria de uma colecção rápida de momentos de terror.

JBM a 4 de Janeiro de 2010 às 00:36
Brincar é de facto uma palavra bem escolhida uma vez que resume na perfeição o que o realizador fez neste filme: brincar aos sustos. Tudo isso que dizes é o que todas as críticas positivas apontam. Uma identificação com o quotidiano. Não fosse essa identificação uma sequência de cenas forçadas apimentadas com diálogos horríveis. O mais básico dos filmes bons (nem que seja fimado com uma única câmara) é uma narrativa elaborada (lembrar que narrativa não é narração e pode ser simplesmente visual). Mas como te disse o filme é bem sucedido num plano. Já não é mau de todo. (na minha opinião, claro) :)

Andreia Mandim a 19 de Março de 2010 às 22:23
Concordo. Tanto que stanley kubrick adaptou e até 'gozou' com stephen king no que respeita ao uso do produto do autor. Dando assim o seu próprio charme para criar aquilo a que chamamos 'atmosfera'. é verdade que tudo o que é arte é relativo no que toca a ser bom ou mau, por isso não afirmo que paranormal activity seja um filme considerado de culto como shining ou exorcista ou wtv, mas sim acho que há que reconhecer que o dinheiro gasto , tal como em Blair wich e mesmo garganta funda levou a que se distingui-se dos restantes da sua década, pela positiva ou negativa, destacou-se.

andreia mandim a 13 de Março de 2010 às 20:38
pois,mas foi considerado ,segundo os especialistas da área, como um dos dez filmes mais rentáveis e com sucesso ,apesar do baixo dinheiro investido.

JBM a 13 de Março de 2010 às 21:16
Também o Transformers foi bem sucedido e rentável. :)

Andreia Mandim a 19 de Março de 2010 às 22:27
pois, mas o transformers teve um orçamento dantesco comparado com o de PA!Acho que não são filmes passiveis de serem comparados.E como já disse em post de resposta anterior, os gostos são relativos e ainda bem que o são.Para haver o bom tem de haver o mau. Mas não nos vamos esquecer que o facto de ter sido tão destacado se deve ao contexto em que foi executado também.

tryyyniii a 3 de Julho de 2010 às 00:29
Deixem-me que dê a minha opinião:

Para além de ganhar algum dinheiro, qual foi o outro propósito do realizador ao entregar-nos este Filme (Paranormal Activity )?

Exactamente, assustar-nos!!!

Agora pergunto, quantas pessoas é que viram este Filme e ficaram indiferentes, sem sentirem MEDO; sem sentirem aquele desconforto na hora de se irem deitar; na hora de estarem em casa sozinhos, à noite, quando todos aqueles sonzinhos estranhos se fazem ouvir; na hora de entrarem no quarto (os que vivem conjugalmente) e quase rezarem para que a outra pessoa não se mexa!!! Quantos?

Uma coisa é certa, estarmos constantemente a comparar Filmes com OBRAS CINEMATOGRÁFICAS não nos leva a lado nenhum!

Vejo uma OBRA CINEMATOGRÁFICA e fico mais rico culturalmente, para além de assustado, no caso do Género de Terror; vejo um Bom Filme de Terror e fico assustado durante semanas!!!

Para mim, Paranormal Activity é muito bom enquanto Cinema de Terror.



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