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James Franco contra o mundo.

por JBM, Sexta-feira, 25.02.11
 
Depois de Slumdog Millionaire, o realizador Danny Boyle regressa aos Óscares com 127 Hours. Ainda traumatizado pelos resultados de 2008, a primeira pergunta que me ocorreu foi: estaremos perante outra estopada visual monumental? Depois pensei: vá, acalma-te J.B. Estás a ser injusto. Afinal de contas este senhor esteve por detrás de Trainspotting e 28 Days Later. Vamos lá dar uma oportunidade ao senhor. Antes que tivesse tempo de me lembrar do The Beach fugi para o cinema mais próximo.


Boyle não tem pressa de começar. Os primeiros minutos são usados para caracterizar convenientemente o cenário e dar algumas pistas sobre a personalidade do personagem principal (um alucinado mas simpático aventureiro) ao mesmo tempo que o espectador se vai habituando ao estilo visual muito próprio do realizador. Passado o primeiro quarto de hora acontece aquilo que todos esperávamos e começa a corrida contra ao tempo.

O grande problema é que Boyle não se limita a contar uma história de sobrevivência. Resolve transformar a dita cuja numa espécie de experiência visual em que somos convidados (ou melhor, obrigados!) a visitar a vida e a psique do protagonista. Mais uma vez Boyle saca do baú um conjunto de artimanhas visuais epiléticas (e completamente indispensáveis) e resolve brindar-nos com um subproduto indefinido de qualidade duvidosa. Se não fosse por James Franco, estava bem lixado.

O ator puxa de todos os seus galões e contra tudo e contra todos (Danny Boyle incluindo), consegue arrancar uma interpretação fantástica que resgata o filme dos efeitos nefastos dos disparates inventados por um realizador mega barroco. Sentimos verdadeiramente a dor de Franco, pensamos como ele, tentamos descobrir a melhor maneira de o tirar daquela situação. Deixou de ser um simples personagem e transformou-se no nosso melhor amigo. Não é um ator a representar Hamlet ou qualquer outro personagem inalcansável. É um ator a representar o nosso vizinho do lado e consegue fazê-lo com uma eficácia incrível.

Se Danny Boyle tivesse errado no casting, possivelmente 127 Hours nunca teria passado dos MTV Movie Awards. Com James Franco, não só chegou aos Óscares com se tornou num dos filmes mais inspiradores e humanos do ano.

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5 comentários

De ADexterA a 26.02.2011 às 00:20

Normalmente concordo com as tuas análises e neste caso penso que não compreendi bem a crítica que é feita ao realizador. Penso que se está a valorizar o filme a partir da interpretação do Franco, mas sou da opinião que essa interpretação é potenciada precisamente pelo estilo que o danny boyle empresta ao filme :)

Abraço

De Bruno Cunha a 26.02.2011 às 11:29

Ainda quero ver este filme. Franco tem provado ser um bom actor.

Abraço
Frank and Hall's Stuff (http://www.frankandhallsstuff.blogspot.com/)

De Tiago Vitória a 26.02.2011 às 18:59

Ainda não consegui perceber quando é que vai alguma vez gostar de um filme e focar-se exclusivamente nos bons aspectos em detrimento dos maus (ou menos bons. A realização está soberba e na minha opinião, não é a performance do Franco que dá valor ao filme mas sim a dinâmica do Boyle.

De JBM a 27.02.2011 às 13:25

A dinâmica de Boyle não é uma dinâmica natural. Ele usa mecanismos barrocos de um realizador em pouco seguro. O filme não precisava disso. E obviamente que nunca me vou focar unicamente nos aspetos. Isso não seria uma review honesta. Eu posso gostar muito de um filme mas até o melhor dos filmes têm pontos negativos. Não estaria a ser imparcial se não os apontasse.

De Andreia Mandim a 27.02.2011 às 08:58

Concordo com grande parte das coisas que dizes, vim ler depois de escrever a minha crítica. No entanto, apesar de concordar que o "slumdog millionaire" não é assim tanto quanto o elevaram e que o "The Beach" é uma espécie de zombie, mais zombie do que o "28 days later" poderia conseguir ser com tantos zombies, penso que neste "127 Hours" o realizador esteve bem, aquilo a que penso que chamas de exagerado e inventado, acho que é o que dá algum 'movimento' ao filme e o traça com uma quase espécie de documentário, dando mais ar real à história. claro que pode haver um ou outro mais incómodo ou menos acertado, mas de longe considero isso tamanha entrave ou falha por parte do realizador. Não é nenhum "The day less ordinary", certamente.

http://cinemaschallenge.blogspot.com/

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