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Prometheus (2012), de Ridley Scott

por JBM, Sábado, 16.06.12

Prometheus não é apenas o regresso de Ridley Scott ao universo Alien. É o regresso do mestre a um género que o colocou na panteão dos geeks mais poderosos de Hollywood. Mas será que o bom e velho Scott ainda tem jeito para a coisa?

 

Depois de todos os disparates que foram feitos com o Alien (dos últimos capítulos da quadrilogia aos execráveis Alien vs. Predator), seria preciso uma abordagem radicalmente diferente para devolver alguma credibilidade a um dos personagens mais satirizados da sétima arte. Scott percebeu isso e, ao invés de regressar assumidamente ao franchise, resolveu criar uma prequela que afinal de contas não é bem uma prequela.

 

Apesar de estar ambientado no universo do filme de 1979 (as referências estão lá e são inegáveis), Prometheus trocou o xenomorfo por uma série de questões existenciais e filosóficas que, apesar de não serem novidade no género, dão uma agradável profundidade narrativa a um mundo até agora estanque (não me vou alongar muito neste aspeto porque é fácil minar a experiência de quem ainda não viu o filme).

 

No entanto essa profundidade não é suficiente para esconder a falta de ideias de um argumento recheado de personagens genéricas e situações previsíveis. A tensão, um dos pontos essenciais do Alien original, raramente dá o ar da sua graça (a exceção mais interessante é uma "cirurgia" especialmente bem conseguida), e o visual excessivamente esterilizado acaba por torná-lo num produto inorgânico e sem alma.

 

Curiosamente, o ponto mais interessante do filme é também ele inorgânico e sem alma. David, o andróide enigmático e inquietante interpretado por Michael Fassbender, acaba por roubar facilmente o filme. Se as restantes personagens tivessem um terço do desenvolvimento de David, a experiência seria muito mais satisfatória (e ainda estou para perceber porque raio é que escolheram o Guy Pearce e não alguém mais velho. Poupavam na maquilhagem e o resultado final seria certamente mais credível)

 

Prometheus não é um filme especialmente mau. É apenas mais um dos rebentos de uma geração de blockbusters genéricos visualmente fantásticos mas muito pouco corajosos à hora de subverter os mecanismos da linguagem cinematográfica.

 

Mais do mesmo, portanto.

 

**

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16 comentários

De JF a 17.06.2012 às 02:18

Para mim foi uma desilusão. Sou um fã incondicional da tensão psicológica do primeiro Alien (e mesmo do espírito mais gráfico do seu sucessor). Este regresso às origens podia ser uma viagem extraordinária, mas tudo o que conseguem fazer é apenas mais um blockbuster de Verão, com personagens da espessura de uma folha de papel (à excepção de David), explosões desnecessárias (aquela sequência final é tão metida a martelo que até dói) e uma pseudo-profundidade confrangedora (ou não fosse o autor do argumento um dos guionistas desse cocktail místico new-age que é a série Lost). Esperava-se mais do regresso de Ridley Scott ao universo de Alien (e também a Blade Runner, de certa forma).

De andreia mandim a 19.06.2012 às 03:34

Ia escrever um post cheio de razões pelas quais o filme foi uma desilusão para mim, mas simplesmente é mais fácil dizer que subscrevo o comentário anterior. E acrescentar que à parte do Fassbender, este é dos filmes que peca sobretudo por uma má escolha de cast, é tão fraco que dá dó.

cumprimentos,
cinemaschallenge.blogspot.com

De Veruska a 20.06.2012 às 11:25

O filme até se vê bem, mas não é nenhuma obra prima.

Mau mau é ver os ET's a toca pifarito e a interpretação da Charlize Theron, especialmente na segunda parte do filme.

De Pedro a 20.06.2012 às 12:18

Sim, bem visto. "Morte por esmagamento" é um fim estúpido para a personagem de Theron.

De JBM a 20.06.2012 às 13:33

"Esmagamento" esse que poderia ter sido evitado se em vez de correr para a frente tivesse corrido 2 metros para o lado.

De JBM a 20.06.2012 às 12:25

É pá... tenho de me meter um aviso a dizer "os comentários podem conter spoilers." :)

De Pedro a 20.06.2012 às 18:31

Ooops :) por mim, podes apagar o meu comentário, nem pensei nisso.

De NeonNemesis a 20.06.2012 às 18:55

Eu saí da sala de cinema a pensar em como o filme até não foi mau, mas podia ser muito melhor, mas à medida em que fui pensando mais neste, mais me apercebi que foi um filme mesmo muito mau.
em seguida vão alguns spoilers

Os comportamentos das personagens são ridículos para não dizer algo pior estilo o geólogo encarregado de determinar o terreno com o mapa a ser actualizado a cada segundo no seu computador de pulso perder-se minutos depois de indicar o caminho aos outros, e este não é dos piores.
Se prestarem atenção, este filme, é uma cópia muito fraca, do Aliens vs Predator do Paul W. S. Anderson, nem mais nem menos do que o tipo que nos tem aterrorizado com a saga dos filmes Resident Evil de qualidade inexistente.
Basicamente todo o filme foi copiado (o que é irónico no mínimo para o Riddley Scott depois de basicamente ter dito que o AvP era uma porcaria e não o criticava devido à boa relação que tinha com a empresa), múltiplas civilizações antigas com contactos com estra-terrestes e gravuras que levam a organizar uma expedição, o Sr. Weyland multi-milionário que organiza uma espedição, a assembleia de vários cientistas, geólogos, etc. , duas raças de extraterrestes que acabam por entrar em conflito, até a cena da arma foi rippada excepto o facto da personagem do Paul W. S. Anderson tomar uma atitude muito mais lógica e sensata. Até a cena final da rapariga ser a única sobrevivente e acabar com o nascimento de um alien o Riddley Scott foi lá copiar.

Mas o pior de tudo, não é só o facto de um dos mestres do cinema e autor de grandes filmes como o Alien: o 8º passageiro e o Blade Runner, copiar um autêntico nabo do cinema como o Paul W. S. Anderson, é o facto do Riddley Scott ter feito isso com mais do dobro do orçamento que o AvP teve (cerca de 60 milhões do AvP contra cerca de 130 milhões do Prometheus) e 8 anos depois, e o resultado é que o Paul W. S. Anderson tem um filme muito superior.

A única coisa que impede que o Riddley Scott "leve na cabeça forte e feio" é ter um nome bem estabelecido o que faz rir quando o Prometheus leva críticas mais para o positivo enquanto o AvP foi dizimado por estas.

Melhor só se o Riddley Scott nos pregar com o Prometheus 2 a copiar o Transformers 3 do Michael Bay, mais baixo do que ele desceu neste só fazer isso.

De Frederico J. a 21.06.2012 às 15:34

Há aqui muita falta de conhecimento não só de quem escreveu os comentários em cima como do autor do texto o que me deixa bastante desiludido pois nem sequer se deu ao trabalho de pesquisar.

Este filme faz-me lembrar muito Cloverfield pois há muito "trabalho de casa" para o espectador pesquisar antes de ir ver como também para depois de ver o filme.
O filme não é só aquelas 2h mas sim muito mais. Aliás, o filme peca por pouco tempo e acredito que quando sair o Blu-ray, virá com uma versão de mais 1h-2h com a "papinha" feita para os preguiçosos.

Quando saí do filme, vim cansado com tanta informação dada em tão pouco tempo (talvez por ordem do estúdio), tanta informação que eu tenho estado aos poucos a digerir e
juntar as peças com a ajuda do tal material que nos foi disponibilizado antes e depois lançamento.

Por exemplo, não é por acaso que escolheram o Guy Pearce e não alguém mais velho. Um pouco mais de pesquisa e escusava de publicar essa frase tão infeliz. Deixo aqui um cheirinho:
http://www.youtube.com/watch?v=JK53n8camwM

De JBM a 21.06.2012 às 16:26

Meu caro Frederico J,

Prometheus, o filme, é uma experiência de pouco mais de 2 horas. Nesse tempo tem de ser auto-explicativo. Não me interessam as teorias, nem as informações dadas à imprensa, nem o marketing viral, nem nada exterior àquela sala de cinema.

Se um filme não consegue valer sozinho, não é um bom filme. Nessas duas horas ficou tudo muito mal explicado, e sim, não há qualquer explicação lógica para terem escolhido o Guy Pearce. (e sim, eu conhecia esse vídeo que publicou. Se um filme se vê obrigado a fazer um trabalho de caracterização adicional só por causa de fazer um vídeo viral parecer bem, então lamento, mas não é uma boa decisão).

Marketing viral não é cinema. É propaganda.

De andreia mandim a 22.06.2012 às 02:08

JBM, chego mais uma vez tarde aqui, depois de tantos comentários... Realmente tenho de concordar contigo mais uma vez e com outros comentários acima. Aliás, o que disseste no comentário em resposta ao Frederico foi o que eu pensei exactamente enquanto lia o comentário dele...Porque o Prometheus não se trata de uma religião, nem trabalho científico, nem teoria, é um filme e, como tal, deve seguir os propósitos de um.E se realmente não consegue dar a conhecer aos seus expectadores a história, nem sequer ser plausível no que nos mostra, obviamente que o filme falhou. Falhou feiamente e gravemente, porque com tanto dinheiro envolvido é ainda pior ver um filme que poderia ter ido mais longe a resultar nisto. Algo que nem ao razoável chega a meu ver, algo mau, muito mau, principalmente se tivermos em conta o seu contexto e realizador. Este que deveria ter a obrigação de fazer algo bem feito, não que supera-se as outras obras como Alien ou Blade Runner, mas que se valesse por si e não usasse tanta propaganda viral e mesmo associação ao seu antigo filme - Alien. O que é muito irónico, porque mal há hipóteses, tenta se desmarcar dessa ideia de ser uma prequela. Assim como quem o defende.

cumprimentos,
cinemaschallenge.blogspot.com

De RS a 22.06.2012 às 12:01

Epa ..só vejo aqui "pseudo-intelectualoides"..provávelmente candidatos a críticos de cinema a uma daquelas revistas que ninguém lê! Deixem-se de "fica bem dizer mal pois é muito in para o meu QI" pois não estão a ser sensatos! O filme técnicamente é fantástico, tem uma fotografia superior, uma banda sonora na conformidade (ou isso também não é cinema?). Efectivamente algumas incongruências no argumento,mas nada de grave!! e quanto a mim o unico actor que não esteve à altura foi o Guy Pearce..faltou-lhe o toque de "cientista".
Não conheço ninguém que não tenha gostado do filme.
Desculpem lá a "critíca", mas acho que os comentários que li foram exageradamente injustos!

De JBM a 22.06.2012 às 16:54

Não é tanto uma questão de pseudo intelectualidades. A questão é que hoje em dia todos os blockbusters com mais de 100 milhões de dólares de orçamento são "tecnicamente fantásticos" e têm "uma fotografia superior". Não fazem mais do que a sua obrigação porque afinal de contas têm os melhores técnicos da especialidade a trabalhar para eles. O Prometheus é tudo isso, sim, mas falta aquele elemento que o destaque dos demais. Foi aí que eu quis chegar. :)
Obrigado pela tua opinião.

De Sara a 27.06.2012 às 00:32

Fui hoje ao cinema ver o filme e não achei tão mau como a crítica o faz parecer. No entanto, fiquei desiludida com algo que não referiram aqui. Achei que, a partir da cirurgia referida, tornaram a Elizabeth Shaw numa personagem ridícula. Há muito tempo que não assistia a cenas "só para inglês ver" com tanta frequência e num tão curto espaço de tempo. A partir daí, deixei de levar o filme a sério. Por favor, uma nave cai, e continuam a correr como se não tivesse havido impacto? Tirando isto e mais dezenas de situações, gostei do filme e principalmente das novas ideias concretizadas...

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