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"Little Children"



"Do you feel bad about this?"


Desde "Edward Scissorhands" a "American Beauty", o que não faltam no cinema norte-americano são bairros suburbanos recheados de vidas inúteis e paranóicas, pautadas por falsos valores e hipocrisias.

É exactamente num desses bairros que se passa este "Little Children", o primeiro filme de Todd Field, depois de em 2001 ter surpreendido a crítica internacional com "In the Bedroom". Um bairro onde habitam adúlteros, viciados em pornografia, um antigo polícia instável, e um pedófilo que regressa a casa depois de cumprir pena, e que mais do que o vilão, se torna no alvo perfeito para os habitantes descarregarem as suas frustrações...

Ora é basicamente à volta das frustrações e sentimentos reprimidos que tudo gira. O filme está repleto de personagens que anseiam por emoções fortes, por quebrar a rotina, por concretizar os sonhos. Para quê viver se não nos sentimos vivos?

Misturando um argumento com toques de drama e comédia negra, Todd Field consegue criar uma bela peça cinematográfica que serve tanto de crítica social, como de reflexão. Os personagens transpiram aquela monotonia imposta pela sociedade, com interpretações de encher o olho, nas quais destaco Jackie Earle Haley, no mínimo arrasador como o "anti-vilão" pedófilo, que nunca conseguimos odiar totalmente (aliás, humanizar os vilões é uma virtude que poucos filmes conseguem).

Se de um modo geral o filme consegue funcionar de forma quase perfeita (destaco para lá da realização e das interpretações, o excelente trabalho de fotografia), há momentos em que as coisas derrapam um pouco. As intervenções do narrador nem sempre são as mais felizes. O ritmo fica seriamente afectado por elas, e por vezes parece que nos querem impôr emoções que deveriam ser transpostas pelos actores. Além disso no final ficamos com a sensação que o filme se estende demasiado, principalmente se tivermos em conta o que foi dito.

Não deixa por isso de ser um filme sóbrio, com um cunho pessoal de Todd Field bem demarcado, e uma interessante reflexão sobre os nossos medos e os nossos desejos mais... íntimos.

(8/10) * * * *

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