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"Silent Hill"



"It's coming!"


Ainda não foi desta que a maldição (nunca melhor dito) das adaptações de videojogos acabou... mas bolas... foi por pouco.

Tudo deixava antever que se juntássemos um realizador competente (Christophe Gans não é nenhum Uwe Boll) a um escriba conceituado (foi da caneta do Roger Avary que saiu parte de "Pulp Fiction"), conseguíssemos um resultado mais do que satisfatório... Mas a verdade é que não é bem assim... e a culpa é mais de Avary do que de Gans.

"Silent Hill" visualmente é estrondoso. O design das criaturas é do mais perturbante que vimos surgir nos últimos anos (o "The Janitor", criado em exclusivo para o filme, mereceu os elogios do criador do original), e as cenas em separado funcionam, de um modo geral, muito bem. É inteiramente visível o perfeccionismo com que a cidade e as criaturas foram criadas. Não só se respeitou o ambiente (visual e sonoro) do videojogo (do qual eu sou um assumido fã), como se tentou ir mais além, sem nunca se deixar de ser fiel ao ponto de partida.

Por isso mesmo, é frustrante (mais do que em qualquer outra adaptação feita às três pancadas) ver que se niglegenciou uma parte tão importante como é o argumento.

O guião é realmente fraco, com alguns momentos a mergulharem de cabeça no francamente sofrível. Todo o ritmo, bem como os diálogos (que à falta de melhor, vou classificá-los de teatrais - perante eles o competente leque de actores não poderia fazer muito mais) são demasiado lentos. Apesar de se respeitar de um modo geral os acontecimentos do videojogo, as respostas ao mistério são bem mais básicas e lineares que as do próprio jogo, o que de facto não se compreende. Sim, o filme parece-se mais com um videojogo filmado que o próprio videojogo, e o cúmulo atinge-se na última meia hora, onde as respostas são dadas todas numa cena (como que a dizer: tomem lá a solução porque temos que acabar isto depressa), para que o desfecho (mais uma vez, bastante fraquito) faça algum sentido... Avary... que se passou contigo?

Poucas vezes saí tão frustrado de um sala de cinema (já agora, atentem nos apetitosos créditos finais)... podia ter sido tão bom... Como está, vale pelo ensaio visual e por um ou outro susto. Nada de mais, portanto...

(5/10) * * *

P.S.: Eu tenho este comentário escrito desde Agosto de 2006, altura em que vi este filme nos cinemas do país vizinho... (acho que não preciso dizer mais, né?)

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