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"Vacancy"



"At least they could've provided us with a little bit of porn"


E Hitchcock continua a marcar pontos como um dos realizadores mais influentes do século passado. Se aqui há um par de semanas chegou às nossas salas "Disturbia", um filme claramente influenciado por "Rear Window", neste "Vancancy" o mestre de cerimónias é "Psycho".

O motel, a viagem nocturna, o recepcionista psicopata, e se quisermos ir mais além, até no desenho e música dos créditos (iniciais e finais) encontramos semelhanças com as obra de Hitchcock. Mas a verdade é que, apesar disto, tal como em"Disturbia", estamos perante uma experiência surpreendentemente satisfatória.

Felizmente que para os fãs do velho susto surgem de vez em quando alternativas aos cada vez mais populares filmes "talho" (vocês sabem do que eu estou a falar). Apesar de tratar de um tema violento por natureza (os filmes snuff), o realizador húngaro Nimród Antal ("Kontroll") opta por deixar de lado os litros e litros de sangue, e apostar num tratamento mais subtil onde a tensão é dona e senhora.

Este não é um primo de "Hostel". É um filme de suspense da velha escola, com alguns clichés óbvios (o carro que avaria do meio de nenhures durante a noite e o polícia solitário que aparece, por exemplo), mas também com alguns rasgos de criatividade e longe de ser previsível.

Aliás, poucos filmes são tão honestos na sua premissa como este. Cedo se começa a saber para o que se veio. Não há grandes mistérios nem twists muito elaborados, só há pessoas que querem filmar pessoas a matar outras pessoas.

Mas é dessa honestidade que surge também um dos maiores problemas do filme. No fundo, ele não nos leva a lado nenhum. O tema é banal, e apesar de ser superiormente executado (ao nível da realização e do trabalho dramático dos actores), não consegue por si só tirar-nos a sensação de estarmos a ver uma espécie de curta-metragem (até porque a duração não vai para lá dos 80 minutos e pouco) que foi esticada até à exaustão.

Muita da culpa também a têm o facto do cenário ser um pouco limitado para acolher a acção de uma longa metragem. Sim, ajuda a transmitir aquele sensação de real desconforto e claustrofobia, mas a dado momento ficamos com a ideia de que os argumentistas ficaram sem saber para onde fazer os protagonistas fugir.

Não é um filme grandioso, nem poderia ser. É uma experiência interessante com bons momentos de tensão, bem realizado e bem interpretado, mas demasiado simples para aspirar a ser algo mais memorável.

(6/10) * * *

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