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Ursos, demónios e coisas afins




Antes de mais: Não! Não é. "The Golden Compass" não é o sucessor de "The Lord of the Rings". Apesar dos trailers e de toda a tinta que correu, esta adaptação da obra de Philip Pullman está muito longe do filme de Peter Jackson.

Ao contrário do que a acontecia com a Terra Média, o mundo único onde decorre esta aventura, nunca parece realmente "único". Tudo parece muito limitado, muito "curto". Não há dúvida que tudo o que nos mostram tem imenso potencial e parece recheado de uma mitologia bem complexa (os "demónios" são um bom exemplo disso). Mas por muito que tentemos nunca deixamos de ter aquela sensação de que se algo não bate totalmente certo, de que nos estão a mostrar algo que parece um resumo de alguma coisa.

A narrativa nunca consegue ser totalmente coerente. Longos minutos de exposição são intercalados com cenas de acção inesperadas. Parece que se está a tentar referir o maior número de páginas possíveis do romance de Pullman, sem nunca se chegar a conseguir a essência de nenhuma delas. Aquilo que chega aos espectadores, sobre todas as referências ideológicas à igreja e ao catolicismo contidas no livro original, não passa de uma pálida amostra.

Estamos perante um caso flagrante de torytelling defeituoso, o que, para um filme de fantasia é um erro imperdoável. Talvez Chris Weitz precisasse de uma lições com Matthew Vaughn, o homem por detrás de uma coisinha sublime chamada "Stardust".

Isso, claro, reflecte-se na aparente falta de profundidade dos personagens. De todos os intervenientes nesta aventura não são precisos mais de metade dos dedos de uma mão para contar aqueles que realmente me interessaram.

Logicamente, tendo em conta este cenário, não se poderia pedir muito mais aos actores. Todos eles foram funcionais, se bem que estava à espera de um pouco mais de Nicole Kidman, que engatou, estranhamente, o piloto automático.

Mas não queria terminar este texto sem referir o grande ponto alto do filme. Visualmente é do melhor que se pode fazer. Todos os cenários, bem como a dicotomia humano-demónio, são retratados de uma forma exemplar e verdadeiramente deslumbrante. E, para ser honesto, apesar de todos os problemas, reconheço-lhe o potencial que pode vir a ter como trilogia, até porque me manteve interessado no que pode vir aí.

Resta esperar pelos próximos desenvolvimentos... (trilogia sim ou trilogia não, eis a questão...)

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