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Depois de Guy Ritchie, é bom ver que Woody Allen também está de volta

 

Vicky Cristina e um copo de vinho... ok, dois
E um outro com um liquido transparente



O Woody Allen irrita-me. Não sei se é pela sua hiperactividade sufocante ou se pelos seus tiques de vedeta pretensiosa a puxar ao coitadinho, mas há algo ali que agride violentamente o meu sistema nervoso. Se eu não soubesse separar as coisas, neste momento estaria a dizer cobras e lagartos de "Vicky Cristina Barcelona".

Mas descansem fãs de Allen. Não o vou fazer. Apesar de tudo gosto dos seus filmes. Conseguem alcançar um invulgar meio termo entre a comédia ligeira e a introspecção. E há que admitir que ele sabe contar uma história.

Na teoria, não há em "Vicky Cristina Barcelona" nada de remotamente original. Todos os personagens parecem saídos de uma mostra internacional de estereótipos. Vicky é a romântica inconsolável, boémia e aventureira, que não concebe o amor sem a desilusão: Cristina prefere a estabilidade e as emoções controladas; Juan Antonio é o artista europeu, excêntrico e sensual; E por último temos Maria Elena, a mulher latina personificada - impulsiva, sensual e com uma dose extra de loucura.

Contudo, da mesma forma que um campeão de xadrez vence campeonatos com o mesmo esquema de peças que os adversários, Woody Allen move elegantemente os estereótipos para lhes conferir uma profundidade extra e explorar assim terrenos pouco habituais.

Um aspecto curioso neste "Vicky Cristina Barcelona" é a inesperada credibilidade do argumento. Graças ao ritmo perfeito conseguido no guião (transposto para filme através de uma montagem sem qualquer tipo de desperdício), o espectador é levado a envolver-se cognitivamente naquilo que está acontecer. Por muito bizarro que seja a situação (nomeadamente a relação em que se vai envolver Vicky) em nenhum momento criticamos as motivações dos personagens. Tudo é lógico e tudo flui.

Tematicamente vou apenas dizer que é um filme sobre relações humanas à moda do velho Woody Allen. Em momento algum pretende ser apenas mais um filme sobre o amor e muito menos sobre sexo. É uma reflexão sobre a vida e as suas tentações. Dois estilos de vida, duas formas de lidar com o mundo. Não há uma verdade absoluta. Há apenas impulsos.

Para terminar só uma coisa: Allen, amigo, se por acaso leres isto aqui fica um conselho. A Scarlett é uma actriz medíocre. É uma carinha laroca e nada mais. Se queres um musa a sério, pede ao Almodóvar que te empreste a dele. A Penélope Cruz meteu a Scarlett num bolso sempre que as duas partilharam o ecrã. Em talento e em sensualidade. Sim, bem sei que ela só sabe representar na Europa. Mas estás convidado sempre que quiseres voltar. A sério. Eu reservo-te o hotel.

 

2 comentários

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    J.B. Martins 27.01.2009

    Daqui do meu estaminé só te posso enviar um efusivo "Boa Sorte". :)
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