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The Ghost Writer. A arte da tensão


Tal como aconteceu no início do ano com Shutter Island, a essência de The Ghost Writer está muito para lá da relevância do seu argumento (neste caso uma referência ácida - mas previsível - ao binómio anti-terrorista Bush/Blair). O que realmente impressiona neste filme - e aquilo que faz dele um dos thrillers da década - é o domínio demonstrado por Polanski, essa velha mas sábia raposa, nos mecanismos da tensão e do mistério, através de uma utilização mais do que hábil da linguagem cinematográfica.

Pouco a pouco, com passos lentos mas sólidos, o realizador vai construindo e moldando elegantemente a tensão até ao ponto em que o espectador não consegue literalmente tirar os olhos do ecrã tal a densidade da atmosfera (o mestre Hitchcock dificilmente teria feito melhor).

Cada plano é fantástico, da composição à caracterização, e é impossível não ficar impressionado com o trabalho do director de fotografia Pawel Edelman, que já anteriormente tinha sido nomeado ao Óscar pelo The Pianist.

Apesar de ter tido a dificil tarefa de levar às costas um elenco já de si competente, Ewan McGregor conseguiu uma performance credível, que apesar de não impressionar (o guião não o permitia) acabou por revelar-se extremamente competente.

Independentemente de alguns problemas que possam existir na construção do argumento (que apesar de não comprometerem o desenvolvimento da acção, colam-se irritantemente na parte de trás do cérebro - o GPS, a resolução final, a facilidade com que o protagonista encontrou uma série de provas essenciais para espoletar a acção), The Ghost Writer continua a ser um dos filmes de 2010.

| Publicado em Rascunho.net

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