Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

CINEBLOG

CINEBLOG

"American Hustle" (2013), de David O. Russell.

Aquilo que mais me agrada no cinema enquanto arte (e são muitas as coisas que me agradam), é a forma como se conseguem construir narrativas que funcionam muito para lá daquilo que efetivamente nos é contado. O cinema vive de subtilezas, de olhares, de expressões e de silêncios. Nos bons filmes, nada é deixado ao acaso.

"American Hustle" é um desses filmes. Por debaixo de uma capa de Scorsese barato, ultra-estilizado, a roçar um trabalho de final de curso, há um mundo de subtilezas. Enquanto o David O. Russell vai brincando com a câmara e imitando os truques dos crescidos, o elenco toma conta do filme e com ele chega-nos uma humanidade acima da média. Este é um filme de atores. Ponto. Provavelmente o exemplo mais flagrante dos últimos anos. Mas comecemos pelo início.

Christian Bale é um monstro, faça o que faça, mas sobretudo é um monstro que não tem medo de se eliminar da equação. Não é fácil desaparecer atrás dos personagens, mas Bale domina a arte como poucos. Irving Rosenfeld não é Christian Bale. Irving é um perfeito desconhecido. É um indíviduo frágil de moral dúbia mas bom coração que nos vai conquistando à medida que a narrativa se vai desenvolvendo. É um personagem subtil, escondido atrás de uma aparência rídicula (no fundo como o próprio filme) e Bale sabia melhor que ninguém que essa aparência, para além de acrescentar várias camadas de profundidade ao personagem, seria essencial para o tornar credível.

Bale é o elemento central deste batido de enganos e revelações, mas não está sozinho. Amy Adams acrescenta o mistério, Bradley Cooper a ambição descontrolada e Jennifer Lawrence a loucura e a frescura dos bons batidos. Juntos conseguem criar uma das mais saborosas refeições do ano cinematográfico.

A questão que se coloca é: de que forma deveremos encarar a realização de O. Russell? Estamos perante uma homenagem tarantinesca a Scorsese? Ou apenas uma cópia descarada de um género?

Eu aponto para a primeira. Não que reconheça no David O. Russell o talento indiscutível que a Academia norte-americana teima em atribuir-lhe, mas porque a surpreendente subtileza do argumento não deixa grandes dúvidas sobre as suas intenções. Não tem a criatividade nem a distância do Tarantino, mas não se saiu mal.

(***1/2)

2 comentários

  • Imagem de perfil

    J.B. Martins 30.01.2014

    Hum... porque ainda não o vi. :)
  • Comentar:

    CorretorEmoji

    Comentar via SAPO Blogs

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    Este blog tem comentários moderados.

    Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

    Siga-nos:

    Blogue a 24fps que não necessita de óculos 3D. Online desde 2003.

    Pesquisar

     

    Subscrever por e-mail

    A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.