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Crítica: Alien Covenant. Sangue e filosofia

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O franchise Alien é tanto uma série de filmes sobre um bicho com duas bocas que mata gente, como Night of The Living Dead e respetivas sequelas são filmes sobre mortos devoradores de cérebros. O bicho interessa, claro: é inegavelmente uma criatura fascinante, que representa ao mesmo tempo o medo e a atração pelo desconhecido. Mas mais do que o fim em si mesmo, é o elemento ao redor do qual se exploram e desenvolvem outros géneros. 

Alien: Covenant é a sequela mais ou menos direta de Prometheus, provavelmente o capítulo mais ambicioso de toda a saga. O filme de 2012 levou a mitologia da série a todo um novo patamar, levantando questões, apontando caminhos e sussurando respostas. 

Aviso à navegação: embora tenha tentado fugir às revelações desnecessárias, torna-se difícil falar de alguns aspetos de Alien: Covenant e de Prometheus sem referir factos que podem ser considerados spoilers. Avancem à cautela.

Tal como em Prometheus, também em Covenant a ideia de criação e de criador é o pilar essencial de toda a narrativa. No filme de 2012, o foco estava nas criações e nas várias formas de lidar com a ausência de conhecimento - que podiam ir da aceitação à obsessão pela finitude. Aqui o foco está no criador, que se traduz desde logo na missão da Covenant (ela própria criadora de novos mundos - civilizacionais e pessoais), passando pelo seu novo capitão (um criacionista convicto que se sente vítima de discriminação), acabando no confronto físico e emocional entre David e Walter, uma criação promovida a criador, obcecada pela perfeição, e uma criação empenhada (forçada?) em cumprir o seu papel.

Mas como é que isto tudo se encaixa num filme que tem a obrigação de ter litradas de sangue? Durante a maior parte do tempo, surpreendentemente bem.

Ridley Scott demonstra mais uma vez que é um exímio criador de universos e de mitologias e que, apesar dos seus quase 80 anos, ainda sabe perfeitamente quais os botões certos a premir para transmitir ritmo e emoção (a primeira meia-hora é o sci-fi mais puro e clássico que vi no cinema em muito tempo).

Provavelmente, a necessidade de se afastar de Prometheus para satisfazer os fãs de Alien, acabou por limitar a caracterização da tripulação, nomeadamente de alguns personagens que acabam por ser pouco mais do que "carne para xenormorfo" (ao ponto de Scott se ver "obrigado" a lançar prólogos para ajudar o público a familiarizar-se com os personagens). Mas a vida é assim e temos de viver com o que nos chega às mãos.

No fim, o balanço parece-me positivo: os fãs de Prometheus acabaram por ter algumas das respostas que queriam (e ainda mais perguntas para alimentar os fóruns até à estreia do próximo filme) e os fãs do xenomorfo sanguinário têm aqui alguns dos momentos mais explícitos e criativos de todo o franchise.

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